segunda-feira, 13 de setembro de 2010

O ESPAÇO INSTITUCIONAL
Embora virtual, pois media a relação Sociedade/Estado, existindo e se realizando a partir da aceitação social de um poder centralizado, o espaço institucional torna-se material nos prédios onde é exercido esse poder e naqueles que abrigam os serviços públicos. A desigualdade de importância dada pelos Três Poderes – Executivo, Legislativo e Judiciário - aos prédios onde estes são exercidos em comparação aos prédios que abrigam serviços públicos é manifesta concretamente no espaço produzido, dentro e fora das cidades. O próprio território brasileiro expressa em sua organização o descaso com o público. Brasília foi exemplo de modernidade espacial, bem como a forma como estruturou e logicizou o espaço nacional.
Fazendo tal análise, “caiu a ficha”.
Quem não utiliza o serviço público, principalmente saúde, educação, transporte e segurança, não tem interesse em melhorar esses serviços essenciais, acabando por privilegiar o privado e não o público. Alguns bem intencionados também não conseguem planejar os serviços públicos a contento, pois não fazendo uso constante destes, desconhecem a sua realidade concreta. Visitinhas de vez em quando, principalmente em ano eleitoral, não ensinam o que acontece no dia a dia. Apenas quem faz uso constante dos serviços públicos pode entende-los, pensar em soluções e destinar as verbas que lhe são de direito.
É isso: quem exerce o cargo público está distante da realidade do serviço público por que não o utiliza. Por isso nos programas eleitorais sobressai a mesmice e o ridículo.
Esta é a discussão mais importante hoje e não os programas e plataformas de governo expostos na feira livre da próxima eleição. Todos falam em investir no público: “aí freguês, compra o meu!”. Mas uma vez no poder, o interesse é a qualidade dos serviços privados, que é o que efetivamente a maioria dos políticos utiliza. Este fato é a expressão maior da distancia entre a classe política que temos, com todos seus interesses e prioridades, e o resto da sociedade, que sofre os serviços públicos.
Não estou propondo uma lei obrigando o ocupante de cargo público a utilizar o serviço público, o que seria muito difícil fiscalizar. Mas temos que considerar como obrigação ética o uso do serviço público por aqueles que exercem o poder no país, já que eles são seus administradores, responsáveis pelo seu bom funcionamento. Afinal fazem mil discursos sobre como melhoraram a qualidade do serviço público, mas não os utilizam, sendo assim “analfabetos da realidade social”!
Decidi assim nesta eleição dar meu voto para candidatos que utilizam sempre e somente os serviços públicos. Claro, ainda não encontrei nenhum!
Antes que me perguntem, sou usuário e sofro os serviços públicos. Não, não sou candidato, pois não sou político profissional. Em quem eu voto? Sendo coerente com minha análise e o “cair da ficha”, se não achar ninguém em quem votar, anulo. Para mim quem desconhece a realidade do serviço público, nada fará por ele e não merece meu voto. Ponto.