sexta-feira, 8 de abril de 2011

A Produção da Violência

A tragédia de ontem, 7 de Abril, na escola no Rio de Janeiro, onde doze crianças foram friamente assassinadas nos comove e comove o mundo.
Talvez por que tenha sido INEVITÁVEL.
Desde que o ser humano se entende por gente ele assassina seus iguais. Para isso cria rótulos de “diferentes” em outras pessoas para justificar as matanças e genocídios. O louco de ontem, 7 de Abril, usou o rótulo de “impuros’.
Esse tipo de tragédia é inevitável: qualquer pessoa pode em um surto psicótico, sair matando quem está em volta, sem prévio aviso. Ninguém está livre disto. Hipocrisia é achar que está.
Sim, algo está muito errado e não refletir sobre isso cria mais fatos inevitáveis.
A questão aqui não é mais ou menos segurança, desenvolvimento ou educação, visto que este tipo de tragédia pode ocorrer em qualquer país, com qualquer nível socioeconômico ou qualquer nível de segurança.
O que é mais trágico é que temos, enquanto sociedade humana, dois pesos e duas medidas em relação às tragédias.
Comovem-nos aquelas que não afetam nosso consumo!
Isso mesmo. Veja a própria imprensa, que é reflexo da sociedade, divulgando para o mundo inteiro o acontecido no Rio de Janeiro, mas pouco falando da matança de milhares de pessoas no Planalto de Katanga (República Popular do Congo) no começo do século XXI.
Lá foram milhares de crianças que tiveram seu futuro abreviado para viabilizar nosso consumo de celulares e laptops a baixo custo.
Tal genocídio permitiu a exploração do ColTan, liga de semimetais essencial para a produção de capacitores baratos usados em nossos aparelhos hightech.
Temos assim, em nossos bolsos e nossas mesas, artigos de consumo que podemos adquirir a custa dessas vidas, de muito sangue derramado (o sangue do sacrifício?).
Não nos comovemos e talvez por que a verdade sobre nós mesmos não dê audiência a imprensa mundial não faz alarde nenhum!
Ao contrário, somos todos coniventes com esta matança que era EVITÁVEL!
Para garantir o preço da gasolina de nossos carros, agora mesmo, neste instante, promovem-se matanças no Oriente Médio e na África Branca.
Genocídios oficiais que viabilizam nosso consumo diário!
Temos então que perceber que o mundo é comandado por assassinos e ladrões.
Nós mesmos os colocamos lá e asseguramos seu poder para que zelem pelo bem público e eles em troca promovem chacinas oficiais para garantir o nosso padrão de vida.
Por que isto não nos comove?
Por que são tragédias EVITÁVEIS?
Tais matanças são pensadas, planejadas e orquestradas por quem deveria garantir a Paz.
Mas entre a Paz e a garantia de consumo preferimos o segundo: o conforto de nosso transporte individual, da telefonia móvel, do “meu” computador (onde ora escrevo).
A sociedade é hipócrita, falsamente competitiva e injusta, e por isso produz pessoas surtadas que matam quem está em volta. Estas são consequência e não causa!
Não é a segurança que tem que ser reforçada, mas a sociedade humana é que deve ser repensada.