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quinta-feira, 8 de abril de 2010



Sobre o Rio de Janeiro.
"Moro num país tropical, abençoado por Deus..."
É, aqui não tem terremoto, não tem vulcão... Mas também não tem política habitacional.
O acelerado processo de urbanização, conseqüência do enorme êxodo rural dos últimos 50 anos, associado a um volume absurdo de chuvas, produz o espaço caótico em que o Rio, literalmente, mergulha.
No Brasil nunca houve uma real e séria reforma agrária, o que tornaria a migração rural-urbana mais equilibrada e o planejamento das cidades mais racionalizado. Também nunca houve uma política habitacional séria de nenhuma das esferas de poder, federal, estadual ou municipal. 
Soma-se a isso nossa histórica e péssima distribuição de renda (uma das piores do mundo) e temos este espaço desigual e combinado do meio urbano. 
Espaço desigual pois reflete a péssima distribuição de renda. Combinado, pois na mesma urbe convivem bairros ricos e pobres derivados ambos da própria lógica do capital.
Históricamente os migrantes chegam e não encontram uma infra-estrutura habitacional adequada e, sem condições de adquirir os terrenos em áreas livres de riscos, mais valorizadas e loteadas pelo capital privado, são naturalmente empurrados para as várzeas de rios, em São Paulo, ou para os morros, no Rio e Niterói. Daí toda vez que ocorrem chuvas intensas, calamidade pública.
Pois é, aqui não tem terremoto, mas já morreram mais pessoas que no terremoto do Chile no começo do ano, pondo a nú a ausência do Estado, que sempre se desobrigou do investimento em infra-estruturas simples e adequadas. 
Estado este que utiliza o dinheiro público em grandes obras, que como sabemos, permitem grandes desvios...
A população, esta sofre e reza...

sábado, 20 de março de 2010

Entender a produção do espaço na favela acima, passa pelo entendimento da própria cultura mexicana, fortemente influenciada pelas civilizações pré-colombianas que aí habitavam milenarmente. Embora sejam sub-moradias, o colorido das casas é um produto da cultura remanescente de tais civilizações, que produziam seus artefatos usando a mesma gama de cores vivas que se vê na foto. Agora pense no espaço que te cerca. Será ele tão rico de referências culturais?

sábado, 6 de março de 2010

Pensar a produção do espaço significa que não há espaço para a geografia física?
Claro que não. Ela é fundamental, pois se não conhecemos a natureza e a gama de aspectos físicos (vegetação, clima, hidrografia, relevo, solos) que compõe uma dada estrutura espacial natural, vamos produzir um espaço em contradição com essa estrutura, levando a degradação da natureza. Ora, é isso mesmo que ocorre na superfície terrestre. Por absoluta falta de conhecimento desses aspectos, quando determinado processo produtivo se instala, o espaço assim humanizado pouco respeita as condições naturais.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

A princípio parece difícil entender a produção do espaço.
Comece pela sua realidade. O seu entorno. Sua casa, o seu bairro.
Observe como é o relevo. Imagine como ele era e as modificações que sofreu com a ocupação das pessoas.
Perceba que esse espaço humanizado tem uma dinâmica, e que em seu bairro ou em sua casa sempre tem alguém com mais influencia no espaço que se produz.
Agora é só imaginar como era esse espaço quando natural, como poderia ter sido e o que fazer para chegar nesse ideal.
Com esse entendimento, você pode pensar formas de melhorar ou modificar o espaço em que vive.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Este blog fala de Geografia.
A minha Geografia não é acadêmica.
Porém a minha Geografia é acadêmica, por que é dialética.
Busca pensar o espaço de forma dialética.
É Geografia Crítica, pois busca entender o espaço como produção coletiva, social.
Procura entender o processo de produção do espaço, fornecendo armas para o cidadão comum compreender, interferir e modificar o espaço em que vive.
Ser cidadão, no mais amplo sentido social, não é apenas conhecer seus direitos e deveres, mas também compreender, questionar e influenciar o processo de produção do espaço em que habita.
Buscarei assim, sempre tratar de temas relevantes que auxiliem o entendimento do espaço produzido.